Como as empresas podem usar a LGPD a seu favor

A Lei Geral de Proteção de Dados fez um ano em agosto. Especialistas explicam como a LGPD pode ser uma oportunidade para as empresas se destacarem no mercado.

Após um ano em vigor, legislação pode ser um diferencial na relação de confiança com os consumidores

A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709, de 14/8/2018) completou um ano em agosto, mês em que também passaram a valer suas penalidades. Mas, em vez de ser vista como uma ameaça, essa legislação pode ser encarada pelas empresas como uma oportunidade de se destacar no mercado, afirma o advogado e especialista em proteção de dados Rony Vaizonf, sócio do escritório Opice Blum, Bruno e Vainzof Advogados Associados.

Para ele, a regulamentação de direitos e garantias de privacidade deve ser absorvida na cultura corporativa e pode ser um diferencial na relação de confiança com o consumidor. “As empresas que assimilaram a LGPD de forma mais contundente conseguiram subverter a lógica do ‘Li e concordo’ para o ‘Entendo e confio’, no sentido de serem mais transparentes sobre o tratamento dos dados das pessoas”, explica.

Sai na frente, portanto, quem deixa claro para o consumidor o que está fazendo com seus dados pessoais. “Do ponto de vista da competitividade, se o dado é a moeda da economia digital e os indivíduos só vão confiar dados às empresas em que acreditarem, protegê-los acaba sendo um modo de se destacar no mercado.”

Além disso, ter uma base legal permite que as empresas explorem com mais segurança os dados que identificam uma pessoa — como RG, CPF, hábitos de compra e perfil demográfico — para otimizar processos e alavancar resultados. Com essas informações em mãos, as empresas podem utilizar a Inteligência Artificial e os algoritmos para personalizar a jornada de compra de um usuário, por exemplo.

Valorização dos dados pessoais

Para Luciano Ramos, gerente de pesquisa e consultoria da IDC Latin America e autor do relatório “Entendendo os impactos da LGPD com treinamento e conscientização” (2021), a valorização dos dados é um impacto positivo da LGPD. “Muita gente não se dá conta do impacto de não cuidar da sua informação, não busca entender como ela será utilizada”, diz.

Com o apoio da LGPD, as pessoas se tornam mais exigentes com os seus dados e podem fornecer apenas as informações necessárias para o serviço ou transação que está sendo realizada com uma empresa.

Nesse contexto, ter essas informações organizadas é importante para prestar contas aos clientes –afinal, como lembra Ramos, a legislação permite que os consumidores questionem o uso de sua informação a qualquer momento.

Ao final do primeiro ano de LGPD, 90% das empresas se consideram adequadas à legislação, segundo o especialista –um número que ele considera animador, mas lembra que já deveria estar em 100%.

Uma pesquisa realizada pela RD Station e pela Manar Soluções com 997 empresas em 2021 mostra que, apesar de se dizerem bem informadas sobre a lei, apenas 15% delas já se adequaram às novas exigências (e que 77% estão atrasadas nesse processo).

Além disso, 69% ainda não têm (ou estão elaborando) uma política de proteção dos dados dos clientes, uma etapa fundamental para implantar as novas regras da LGPD. E 22% não adotou nenhuma medida de segurança. Até agora, segundo a pesquisa, as grandes empresas são as que estão mais preparadas: 39% delas já começaram a se adequar à LGPD (contra 30% da média geral).

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