Empresa valoriza profissionais com autismo para trabalhar com IA

Habilidades de pessoas que estão no espectro, como ter foco e reconhecer padrões, são valiosas para o trabalho com inteligência artificial, aponta startup

Quem trabalha com inteligência artificial (IA) precisa ter algumas habilidades especiais: atenção aos detalhes para desempenhar tarefas repetitivas, reconhecimento de padrões para treinamento de algoritmos, facilidade em resolver quebra-cabeças e ser uma pessoa muito focada.

Listando essas competências, um perfil profissional se destaca: o de pessoas neurodiversas que estão no espectro do autismo, que fazem tudo isso muito bem, aponta a Bloomberg. A reportagem menciona o caso da startup estadunidense Enabled Intelligence, que presta serviços de IA para agências federais do país. 

Seu diretor executivo se inspirou em um programa israelense que recruta pessoas com autismo para o trabalho de inteligência cibernética. A partir daí, a empresa ajustou suas regras de trabalho para contemplar esses profissionais e construir três novas áreas com foco na força de trabalho neurodiversa. 

Jordan Wright, que se identifica como pertencente ao espectro do autismo, foi um dos profissionais contratados pela Enabled Intelligence. Até então, ele havia passado longos períodos sem emprego e trabalhado apenas em vagas de baixa remuneração. “Sem dúvidas, posso dizer que essa é a melhor oportunidade que já tive na minha vida”, conta Jordan, em entrevista para a Bloomberg.

Uma discriminação de décadas

Jordan não é o único profissional neurodiverso que sofreu com discriminação e desemprego. Por décadas, trabalhadores com deficiência enfrentam esse tipo de problema; foi necessário um grande déficit na oferta de profissionais da área de cibersegurança, em comparação à demanda desse tipo de serviço, para que as empresas voltassem sua atenção para as habilidades de pessoas que pensam e trabalham de um modo diferente.

A comunidade de inteligência dos Estados Unidos demorou para reconhecer a oportunidade de empregar pessoas neurodiversas, apontam especialistas. Esses profissionais representam menos de 12% da força de trabalho de pessoas com deficiência no país, segundo estatísticas da Bloomberg.

Como líder do programa de capacitação de talentos neurodiversos no MITRE, que opera centros de pesquisa e desenvolvimento financiados pelo governo estadunidense, Teresa Thomas explica que, em outros países, essa política não é novidade. Ela cita a Dinamarca, o Reino Unido e a Austrália como exemplos de nações onde programas que incentivam a contratação de pessoas neurodiversas já são bem estabelecidos.

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