A inovação aberta está acelerando novas soluções e mostrando às empresas como resolver suas dores de forma mais criativa. Afinal, na era da colaboração, inovar sozinho é um desperdício de recursos e oportunidades.
O que essa estratégia propõe, aliás, é justamente o contrário: compartilhar desafios, ideias e soluções com outras empresas, startups e centros de pesquisa para achar uma maneira original de ganhar eficiência e competitividade.
Nesse modelo, o foco deixa de ser apenas a disputa de mercado e passa a ser a construção conjunta de valor. Isso porque tentar resolver tudo a portas fechadas, como no passado, atrasa o desenvolvimento de soluções que já existem – ou que estão prestes a surgir entre empreendedores mais ágeis.
A inovação aberta, portanto, parte dessa humildade estratégica: reconhecer que boas ideias podem vir de fora e que o futuro é mais promissor quando construído em rede.
O que é inovação aberta?
A inovação aberta é uma abordagem colaborativa que rompe com o modelo tradicional de inovação fechada, no qual todas as soluções são desenvolvidas apenas dentro da empresa.
Em vez disso, ela aposta na conexão com agentes externos – como startups, universidades, hubs de tecnologia e outras empresas – para acelerar a criação de soluções mais eficientes, escaláveis e relevantes para o mercado.
“Inovação aberta é uma forma de construir soluções novas para os usuários através de parcerias com outras empresas”, explica Thiago Viana, diretor de Inovação do iFood.
“Muitas empresas tendem a construir as soluções proprietárias internamente, mas existe uma outra forma de inovar, trabalhando com empresas terceiras, com outros empreendedores que constroem soluções de sucesso, que podem ser integradas a essa corporação”, complementa.
A gestão de inovação aberta envolve o reconhecimento de que nem todos os talentos, ideias e tecnologias precisam estar “dentro de casa” para que uma empresa inove de verdade.
Em diversos casos, unir forças com quem já domina um desafio específico é o caminho mais rápido e sustentável para entregar valor real ao cliente.
Origem do termo
A definição de inovação aberta ganhou visibilidade global graças aos estudos de Henry Chesbrough, professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Foi ele quem cunhou o termo open innovation no início dos anos 2000, descrevendo uma abordagem mais participativa, descentralizada e colaborativa da inovação.
A primeira menção pública ocorreu em seu livro de 2003, considerado um marco no tema e eleito um dos TOP 50 da revista Scientific American.
Segundo Chesbrough, a inovação aberta surgiu como resposta natural à nova dinâmica do conhecimento, partindo do princípio de que o conhecimento está amplamente distribuído pelo mundo.
Como a inovação aberta funciona na prática?
Diferentemente de um processo com etapas rígidas, a inovação aberta funciona como um modelo vivo de colaboração. É menos sobre seguir um manual e mais sobre construir conexões estratégicas, o que varia de empresa para empresa.
Segundo o conceito original de Henry Chesbrough, o pai da inovação aberta, essa abordagem envolve dois fluxos complementares:
- De fora para dentro: incorporar ideias e tecnologias externas para fortalecer a inovação interna;
- De dentro para fora: compartilhar ou licenciar inovações internas que não fazem parte do core business, permitindo que outras organizações escalem essas soluções.
Esse ciclo alimenta ecossistemas colaborativos e dinâmicos – ele explica como no vídeo abaixo.
Ao adotar o modelo de open innovation, as organizações se conectam com agentes externos – como startups, universidades, hubs tecnológicos e outras empresas – para acelerar a criação de soluções mais eficientes, escaláveis e alinhadas às necessidades reais do mercado.
E isso pode ser feito por meio de iniciativas como:
– Aceleração de startups;
– Desenvolvimento conjunto de produtos;
– Hackathons;
– Parcerias tecnológicas.
Um exemplo de inovação aberta é o Cubo Itaú. Criado em 2015, em São Paulo, ele funciona como um hub que conecta grandes empresas, startups, investidores e demais atores do ecossistema empreendedor para colaborar, trocar ideias, desenvolver projetos conjuntos e acelerar soluções inovadoras.
Como implementar a inovação aberta?
Um estudo da IBM publicado em 2023 analisou os fatores de sucesso na implantação da inovação aberta e listou as quatro capacidades de gestão necessárias para isso:
- Estratégia e cultura;
- Capacidade de ecossistema;
- Capacidade interna;
- Habilitação tecnológica.
A análise desse estudo constatou que organizações que estão mais avançadas no desenvolvimento desses quatro pilares apresentam desempenho significativamente melhor em métricas financeiras e de inovação.
Inovação aberta no iFood
O iFood, como uma empresa brasileira de tecnologia, é adepto da inovação aberta e busca fazer parcerias com startups e outros agentes externos para acelerar o desenvolvimento de soluções tecnológicas e de negócio com mais agilidade.
Nessas parcerias de inovação aberta, o iFood oferece uma estrutura ágil em termos de construção para ter uma solução mais rapidamente.
E as startups entram em um ambiente onde podem crescer em velocidade muito maior e com apoio de estrutura em tecnologia, produto, design e marketing digital, por exemplo. E contam com a base de clientes e com o ecossistema para ganhar escala em sua fase de hyper growth.
Em 2023, o iFood foi reconhecido como uma das empresas que mais se destacam em inovação aberta ao lado de startups no Brasil – ficou na quarta colocação do Ranking Melhores Corporações para Startups, promovido pela ABStartups (Associação Brasileira de Startups) e pela The Bakery.
iFood Labs: hub de inovação
O iFood criou em 2021 o iFood Labs, um hub de inovação para acelerar novos negócios por meio de programas voltados para testar, co-desenvolver e investir em novas soluções com startups.
Desde a automatização de envio de mensagens aos restaurantes da rede iFood até a entrega de refeições usando drones, o laboratório de inovação do iFood Labs proporciona testes e aperfeiçoamento de inovações.
iFood + Speedbird: drones no delivery
Em 2019, o iFood começou uma parceria com a SpeedBird Aero, especializada em construir aeronaves não tripuladas, para desenvolver drones autônomos para melhorar a logística de entrega.
Essa é uma inovação pioneira no setor de delivery no Brasil e na América Latina – e feito com tecnologia 100% nacional. Em janeiro de 2022, o iFood se tornou a primeira empresa das Américas a ter permissão para usar drones no delivery, em parceria com a Speedbird Aero.
Hoje, o drone complementa o trabalho de entregadores em locais de difícil acesso.

iFood + Synkar: robô ADA faz entregas
Para desenvolver um veículo autônomo para entregas, em 2021 o iFood fez uma parceria com a Synkar, empresa nacional especializada em inteligência artificial e big data.
Juntas, as empresas criaram a robô ADA para atuar, de forma autônoma, na chamada primeira milha do delivery: levar os pedidos dos restaurantes até o ponto de encontro com os entregadores.
A ADA já opera em dois shoppings: Iguatemi Ribeirão Preto e Iguatemi Alphaville (SP). Nesses pilotos, o robô automatiza apenas a primeira milha dentro do shopping e leva os pedidos dos restaurantes até o hub de coleta, onde o entregador parceiro retira e segue para a entrega final.

Principais benefícios da inovação aberta para empresas
Organizações que desenvolvem consistentemente capacidades internas de inovação aberta – cultura, estratégia, tecnologia e ecossistema – apresentam desempenho significativamente melhor do que abordagens tradicionais, de acordo com um estudo realizado pela IBM em 2023.
Em outro estudo, o IBM Institute for Business Value mostrou que, para cada dólar investido, a proporção de receita direta atribuída à inovação aberta é quatro vezes maior do que na inovação tradicional. E que até 84% dos executivos consideram a inovação aberta importante para o crescimento futuro de suas organizações.
Vantagens estratégicas do open innovation
– Redução de custos e riscos de desenvolvimento;
– Maior participação de clientes no processo de inovação;
– Acesso a talentos e tecnologias complementares;
– Geração de valor para a marca como organização colaborativa;
– Oportunidades de parcerias com startups e universidades.
Além disso, a inovação aberta contribui para espalhar uma cultura inovadora em toda a companhia, aumentando a motivação e a disposição para experimentar soluções fora do convencional.
Desafios para implementar a inovação aberta
Implementar um modelo de inovação aberta exige transformação cultural dentro da empresa. Um dos maiores desafios é desconstruir a mentalidade tradicional de inovação fechada.
Um estudo brasileiro publicado em 2025 investiga como a capacidade de absorção de conhecimento influencia a eficácia da inovação aberta.
Esse é um quesito desafiador, mas importante, pois sugere que não basta abrir parcerias: a empresa precisa estar organizada internamente para aproveitar o conhecimento externo que chegará.
Obstáculos comuns
– Desalinhamento entre áreas internas e externas;
– Falta de clareza sobre problemas reais a resolver;
– Diferenças de ritmo entre corporações e startups;
– Gestão ineficiente de expectativas entre parceiros.
No iFood, esses desafios são enfrentados com foco no problema. “Começamos toda iniciativa de inovação aberta a partir do problema. Entendemos o que é uma dor para o negócio e buscamos empresas que ofereçam boas soluções”, diz Thiago Viana.
Conclusão: o futuro da inovação aberta
A inovação aberta representa uma mudança fundamental na forma como empresas abordam o desenvolvimento de soluções. Mais que uma tendência, é uma estratégia essencial para manter competitividade no mercado atual.
Empresas que investem nesse modelo estão aprendendo a lidar melhor com o erro, testar com agilidade e escalar com mais consistência, construindo um futuro mais colaborativo e inovador.


