Há quatro décadas, as cores do arco-íris estampam a bandeira do orgulho LGBTQIAP+ em todo o mundo. A bandeira se popularizou com seis cores, mas na última década agregou outras seis (e um círculo) para representar cada vez mais a diversidade.
Você sabe o que significam as cores do arco-íris na bandeira do orgulho LGBTQIAP+? O iFood News esclarece essa dúvida de uma vez por todas.
Quando surgiu a bandeira com as cores do arco-íris?
A história da bandeira LGBTQIAP+ começa em 1977, nos Estados Unidos. O ativista Harvey Milk, que lutava pelos direitos das pessoas homossexuais, desafiou o designer Gilbert Baker a criar algo que simbolizasse o orgulho da comunidade gay.Baker, então, criou uma bandeira com oito cores, organizadas em listras horizontais, cada uma representando um aspecto do orgulho gay.


As oito cores originais seguem a mesma ordem do arco-íris que vemos na natureza, mas incluem algumas próprias (roxo, pink e índigo):
- Vermelho – Vida
- Laranja – Cura
- Amarelo – Sol
- Verde – Natureza
- Azul – Arte
- Roxo – Espírito
- Pink – Sexualidade
- Índigo – Serenidade
Lançada na parada gay de São Francisco de 1978, a bandeira fez muito sucesso. A procura por ela foi tão grande que logo ficou difícil para Baker achar tecido pink para produzi-la.
Em seguida, o índigo também caiu fora para que a bandeira tivesse um número par de cores. Por isso, a partir de 1979, a bandeira se popularizou com seis cores.
O que significam as cores do arco-íris?
Na natureza, as cores do arco-íris seguem sempre a mesma ordem, determinada pela decomposição da luz branca.
A sequência fixa é:
- Vermelho
- Laranja
- Amarelo
- Verde
- Azul
- Anil
- Violeta
Na nossa cultura, o significado de cada cor se assemelha ao que Baker propôs na bandeira LGBTQIAP+ – confira abaixo.
Vermelho: energia e vida
O vermelho é a primeira das cores do arco-íris, posicionado na borda externa. Com o maior comprimento de onda do espectro visível (aproximadamente 700 nanômetros), o vermelho simboliza energia, paixão, vida e força. Na psicologia das cores, representa coragem, determinação e vitalidade.
Culturalmente, o vermelho está associado ao amor romântico, à guerra, ao poder e à revolução. Na bandeira LGBTQIAP+ original, Baker escolheu o vermelho para representar a vida, destacando a importância da existência autêntica e plena.
Laranja: entusiasmo e criatividade
A segunda cor do arco-íris combina a energia do vermelho com a alegria do amarelo. O laranja simboliza entusiasmo, criatividade, aventura e sociabilidade. Essa cor estimula a comunicação e promove sentimentos de calor e acolhimento.
Na interpretação original da bandeira do orgulho gay, o laranja representava a cura, simbolizando a recuperação e o bem-estar da comunidade LGBTQIAP+. Hoje, continua evocando esperança e renovação.
Amarelo: alegria e otimismo
O amarelo, cor central no espectro visível, é tradicionalmente associado à felicidade, otimismo, intelecto e iluminação.
Como a cor do sol, representa clareza mental, sabedoria e energia positiva. Psicologicamente, o amarelo estimula a criatividade e melhora a concentração.
Gilbert Baker originalmente designou o amarelo para representar o sol, simbolizando a luz que ilumina o caminho da comunidade LGBTQIAP+ e a esperança de dias melhores.
Verde: natureza e equilíbrio
O verde, cor predominante na natureza, simboliza crescimento, harmonia, frescor e tranquilidade. Representa equilíbrio, renovação e conexão com o meio ambiente. Na psicologia, o verde promove sentimentos de paz, estabilidade e cura emocional.
Na concepção original da bandeira do orgulho LGBTQIAP+, o verde representava a natureza, enfatizando a naturalidade da diversidade sexual e de gênero, contrapondo argumentos de que seria “antinatural”.
Azul: tranquilidade e confiança
O azul transmite calma, confiança, lealdade e profundidade. Como a cor do céu e do mar, evoca sentimentos de infinitude e serenidade. Psicologicamente, o azul reduz o estresse e promove a comunicação clara.
Baker escolheu o azul para representar a arte, destacando a rica contribuição da comunidade LGBTQIAP+ para as artes, literatura e cultura mundial.
Anil (índigo): intuição e profundidade
O anil ou índigo, uma das cores do arco-íris mais difíceis de distinguir, representa intuição, sabedoria profunda e espiritualidade. Essa cor estimula a introspecção e a conexão com aspectos mais sutis da experiência humana.
Na bandeira original de oito cores, o índigo simbolizava a serenidade, representando a paz interior que vem da autoaceitação e do reconhecimento da própria identidade.
Violeta: espiritualidade e transformação
A violeta, última das cores do arco-íris, simboliza espiritualidade, transformação, mistério e nobreza. Com o menor comprimento de onda visível, representa a transcendência e a conexão com dimensões superiores da experiência.
Gilbert Baker atribuiu ao violeta a representação do espírito, enfatizando a dimensão espiritual da luta por direitos e reconhecimento da comunidade LGBTQIAP+.
Bandeira LGBTQIAP: novas cores do arco-íris nos anos 2000
Durante mais de três décadas, a bandeira do orgulho LGBTQIAP+ teve seis cores do arco-íris. Mas a história começou a mudar nos anos 2010.
Em 2017, uma nova bandeira surgiu na Filadélfia (Estados Unidos), com a inclusão de duas novas listras horizontais, uma marrom e outra preta.
O que aconteceu foi que, no ano anterior, depois de uma série de episódios de racismo na cidade, as pessoas negras e latinas exigiram maior inclusão na comunidade LGBTQIAP+.
A resposta da cidade foi criar a sua própria bandeira do orgulho LGBTQIAP+, que estreou nas festividades de junho de 2017.
Um ano depois, o artista Daniel Quasar redesenhou a bandeira para incluir listras pretas, marrons, rosa, azul claro e brancas em formato de seta.
“A seta aponta para a direita para mostrar o movimento para a frente, enquanto estar ao longo da borda esquerda mostra que o progresso ainda precisa ser feito”, explicou Daniel à BBC.
Nesse novo desenho, as cores preta e marrom representam pessoas de cor e as afetadas pelo HIV, enquanto o rosa, o azul e o branco foram incorporados da bandeira das pessoas transgênero.
A bandeira do arco-íris hoje
A bandeira LGBTQIAP+ que conhecemos hoje passou ainda por mais uma mudança. Em 2021, o designer Valentino Vecchietti, da Intersex Equality Rights, adicionou um triângulo amarelo e um círculo roxo.
Dessa forma, passou a representar a comunidade de pessoas intersexo, ou seja, que nascem com características sexuais que não se encaixam na noção binárias típicas de corpos masculinos ou femininos.
No Brasil, a nova bandeira do movimento LGBTQIAP+, com a inclusão dos símbolos referentes a pessoas intersexo, transgênero e de cor, foi lançada oficialmente em 2022, na 27ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Curiosidades sobre as cores do arco-íris
O olho humano pode distinguir cerca de dez milhões de cores diferentes, mas tradicionalmente identificamos sete cores principais no arco-íris.
Essa convenção começou com o matemático e físico inglês Isaac Newton. Inicialmente, ele identificou cinco cores, mas adicionou laranja e índigo para chegar ao número sete, considerado místico na sua época (entre os séculos 17 e 18).
Arco-íris duplos ou até triplos podem ocorrer quando a luz sofre múltiplas reflexões dentro das gotículas. No arco-íris secundário, as cores aparecem em ordem inversa devido à reflexão adicional.
Em diferentes idiomas, o número de cores do arco-íris reconhecidas varia. Algumas culturas identificam três, quatro ou cinco cores principais, refletindo diferenças na percepção cultural das cores.
O acrônimo “ROY G. BIV” (Red, Orange, Yellow, Green, Blue, Indigo, Violet) é amplamente usado em países de língua inglesa para memorizar a ordem das cores do arco-íris.
As cores do arco-íris continuam inspirando e unindo pessoas ao redor do mundo, seja pela contemplação de sua beleza natural ou como símbolo poderoso de diversidade, inclusão e orgulho.
Compreender tanto seus aspectos científicos quanto culturais nos permite apreciar plenamente a riqueza de significados que essas sete cores carregam em nossa sociedade contemporânea.


