3 boas práticas de escolas públicas para a inclusão digital

Estudo mostra boas práticas de três escolas públicas que usam a tecnologia para um ensino mais inclusivo; conheça os exemplos.

O uso da tecnologia na educação já é realidade em muitas escolas brasileiras. Mas será que essa estratégia pedagógica está funcionando? Em muitos casos, sim —principalmente graças à dedicação dos professores, afirma o estudo “Tecnologias digitais aplicadas à educação inclusiva”, publicado em 2021 pelo Instituto Rodrigo Mendes e pelo Instituto Unibanco.

O estudo traça um panorama das tecnologias que estão transformando a sala de aula. E aborda os desafios das escolas públicas brasileiras para propor soluções para criar uma cultura digital inclusiva no nosso sistema educacional.

Segundo o documento, “os dados obtidos indicam que o uso efetivo de tecnologias educacionais nas escolas ainda depende, predominantemente, da atuação e vontade dos educadores regentes da sala comum e do Atendimento Educacional Especializado”.

Um dos capítulos da pesquisa foi dedicado às boas práticas do uso de tecnologias em sala de aula por três instituições comprometidas com a inclusão e a qualidade do ensino. Para seus autores, a utilização do recurso nas práticas pedagógicas trouxe um ganho real, mas ainda incipiente —e que deve ser amplificado. 

Conheça, a seguir, as boas práticas de três escolas brasileiras que estão tendo bons resultados com a tecnologia em sala de aula.

Recursos digitais no plano de ensino em Manaus

Na rede pública, nem sempre é fácil bancar a tecnologia necessária para a educação digital. A tática dos educadores da Escola Municipal Professor Waldir Garcia, em Manaus (AM), foi primeiro articular apoio de organizações da sociedade civil para oferecer cursos de especialização e pós-graduação e formação em educação inclusiva para os professores.

Resultado: a escola recebeu quatro importantes prêmios entre 2017 e 2020 (Itaú Social – Unicef; Escola Transformadora; Prêmio Nestlé por Crianças Mais Saudáveis; e Educador Nota 10, em 2020). E investiu a premiação na compra de notebooks, datashow e tablets, hoje revezados entre as turmas para que os professores usem em sala de aula recursos digitais como a plataforma IBGE Educa e o aplicativo Rei da Matemática.

Na pandemia da Covid-19, os professores acompanharam os estudantes à distância pelo WhatsApp para tirar dúvidas, enviar e receber atividades. Uma das professoras, diante da dificuldade de corrigir as lições por meio das fotos que as crianças enviavam, ensinou os alunos a usar um aplicativo que simula um scanner para a imagem ficar mais nítida.

Hoje, a escola é “uma referência em educação integral e inclusiva em Manaus”, entre as 364 escolas municipais da cidade, aponta o estudo.

Ensino colaborativo em São Paulo

Durante a pandemia de Covid-19, os professores das classes comuns e de educação especial começaram a trabalhar de maneira colaborativa para garantir que as aulas e atividades fossem acessíveis a todos os estudantes, mesmo à distância. Mas a falta de internet e de computador em casa, assim como o custo do pacote de dados, estavam limitando o acesso ao ensino nas famílias de baixa renda.

Os educadores decidiram, então, mandar as aulas pelo WhatsApp, que permite enviar atividades, gravar áudios e fazer chamadas de vídeo sem custo adicional nos pacotes de dados. E começaram a trocar dicas do que estava funcionando, como usar o PADLET (plataforma para criar quadros com textos, imagens, links e áudios) e o aplicativo WORDWALL, que permite criar jogos de combinação, caça-palavras, questionários, teste

de verdadeiro ou falso, por exemplo.

Segundo o estudo, o caso de São Paulo mostrou que a oferta de notebooks e tablets a alunos e professores durante a pandemia expandiu o uso das ferramentas digitais. “A necessidade de conhecimento sobre o seu uso estimulou o relacionamento entre educadores e o ensino colaborativo”, relata o documento.

Tecnologia assistiva no Sul

Em Bento Gonçalves, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) desenvolve programas individualizados usando tecnologia assistiva e soluções de baixo custo para ajudar alunos com necessidades especiais, como o Clóvis (nome fictício). 

Quando ele entrou no ensino médio técnico do instituto, não tinha as habilidades esperadas em português e matemática, estava pouco engajado nas atividades escolares e tinha dificuldade para estudar sozinho.

A escola, então, criou um plano individualizado e flexibilizou sua grade de ensino. Para estimular seu engajamento, os professores usaram o futebol, tema de interesse do estudante, como forma de estímulo. E seu Centro Tecnológico de Acessibilidade (CTA) desenvolveu desenvolveu recursos de tecnologia assistiva.

O estudante recebeu equipamento especial, com teclado adaptado e um software que funciona como leitor de tela e permite o uso do computador por comandos de voz. Como no caso de Clóvis, quando a escola recebe a matrícula de um aluno com necessidades especiais, faz reuniões com a equipe pedagógica, a assistência estudantil e os coordenadores de curso para pensar em estratégias e conversar com os estudantes em questão para saber quais são as necessidades.

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