Os 4 passos da direção de arte fotográfica para o iFood

Saiba quais são os desafios de criar uma linguagem proprietária de fotografia para o aplicativo do iFood e seu escopo de UI e UX

Edmar Almeida

💻Craft Staff no iFood

A vida no planeta só existe pela capacidade de se criar cópias. A cada cópia, erros e necessidades fizeram com que os primeiros organismos fossem evoluindo até os dias atuais.

Cada cópia gera algo novo e não há, necessariamente, nada idêntico no mundo. Toda cópia é inédita, mas esse ineditismo ainda deriva da cópia.

Esse não é o assunto do meu artigo. Só introduzi dessa forma pra representar como se cria na direção de arte, o papel do criativo e o modo como as pessoas avaliam a criatividade.

Nada realmente é novo: somos peritos em remixar, recriar, transformar. Se vemos uma foto e temos uma inspiração, novos caminhos surgem e nesse processo criativo podemos chamar algo de ‘proprietário’.

Foi com a missão de trazer unidade e propriedade às imagens das categorias do iFood que começou nossa jornada. 

1 – Problemas e oportunidades

• Diversidade de oferta 

No iFood muitas categorias surgem a todo momento. Com a abertura de novas frentes de negócio no aplicativo, usar imagens com tratamento fotográfico a partir do fundo, como faziámos desde 2019, já não era mais viável.

• Dificuldade de manter padrões

Em 2020, partimos para um modelo onde o fundo se tornou componente e a foto um png sobre esse fundo. Aqui, surgiu uma nova questão: como manter padrão de luz, sombra, escala e ângulo que tínhamos em bancos de imagens? A resposta era clara, não manteríamos.

Cada imagem teria um ângulo diferente nesse novo formato, que usamos entre 2020 e início de 2022.

• Falta de representatividade

Outro ponto de atenção ao usarmos fotos de banco de imagem era não ter atrativos e recursos tão interessantes para falar com o público brasileiro. Basta olhar para a imagem da categoria Açaí e você vai perceber que ela não representava as ofertas disponíveis no app.

• Oportunidade de aumentar a presença da marca

Há muito já se sabe que uma marca é feita por um conjunto de ideias verbais, visuais, sonoras, táteis e auditivas, e nossa vontade era trazer mais representatividade de marca para as imagens. Onde colocar a marca do iFood? Como criar destaque sem deixar a jornada cansativa? Estes foram alguns pontos que estudamos antes de rodar o projeto.

2 – Pensamento na marca e no usuário

• Nosso projeto

Quando observamos os problemas que as categorias tinham, passamos a enxergar também as oportunidades. Então, partimos das seguintes premissas para criar o escopo do nosso projeto: 

– As fotos precisam ser similares para criar uma unidade visual

– As fotos podem representar um reforço de marca 

– As fotos podem facilitar a jornada do usuário na sua escolha 

E, assim, começamos a esboçar o que seriam as novos fotos do iFood.

• Concept art:

Pouco usado para esse tipo de trabalho, o concept art tem papel importante de venda e de primeiro look and feel do projeto. Desenhamos algumas categorias para explorar composição, cores, marca, itens essenciais e oportunidades criativas. Como a mini flag do iFood na categoria Lanches.

• Visão da jornada

A todo momento pensamos em storytelling quando desenhamos uma jornada de uso: histórias faladas, mas também visuais, são as linhas condutoras que facilitam o caminho da pessoa no app.

Para que as fotos pudessem acompanhar a pessoa nesta jornada, enxergamos a oportunidade de trazer ângulos para o mesmo prato. Assim, os cliques seriam a 0º, 45º e 90º.

Nem todos os produtos ficam bem visíveis no mesmo ângulo, e por isso a unidade não deve ser superior à legibilidade. Dessa forma, se um produto ficasse ilegível em um dos ângulos, essa opção não seria usada.

3 – Erros e aprendizados na produção

Fotógrafos e culinaristas são profissionais apaixonados e não é possível alcançar excelência nessas áreas sem dedicação e amor. Por isso, entramos em contato com o estúdio Mirona, com sede na Colômbia, e com os culinaristas que fazem os pratos.

Tivemos sim um desafio cultural aqui. Entretanto, como as categorias estariam no app colombiano e brasileiro do iFood, seria uma oportunidade de economizar na produção. O escritório do iFood na Colômbia tem uma equipe dedicada à orçamentos e produções fotográficas, e isso foi de grande ajuda para viabilizarmos o projeto.

Os cliques foram feitos pensando na lógica de ícone, e a heurística da similaridade foi ponto importante nessa construção. Se algo tirava o foco de atenção do prato e pudesse atrapalhar o reconhecimento do consumidor final, ele seria deixado de lado.

Se o corte de batata rústica é maior e define melhor a batata, esse seria o corte escolhido. Se a batata palha mais grossa fica mais fácil de ver na foto, também seria a nossa opção. Partindo desses pressupostos, conduzimos 5 dias de sessão fotográfica.

Um ponto interessante é que tentamos trazer (sempre que possível) um ponto vermelho nas fotos para representar o iFood. Porém, se esse item ou objeto descaracterizasse o prato ele era retirado, para manter a clareza da composição.

4 – Pós-produção e seus desafios

Nosso projeto teve que ser reelaborado diversas vezes. Tivemos o desafio de unir categorias do Brasil e da Colômbia para diminuir os custos e também de testar vários tratamentos para a mesma imagem – sendo essa etapa essencial pra conseguirmos exemplificar a diversidade de culinárias e pedidos que você pode fazer no iFood.

A pós-produção contou com o talento do time que fez componentes e variações que podem ser usadas a qualquer momento pelos designers de produto do iFood para a criação de MVPs.

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As fases do projeto: desenho, produção, execução e pós-produção

O resultado final

Ao navegar no app, vez ou outra você vai ver a marca iFood nas nossas ofertas. Mas todas as vezes você vai ver o mesmo tratamento fotográfico. É isso que chamamos de proprietário.

Hoje, em nossas bibliotecas e explorações podemos usar uma gama enorme de componentes que vão tornar o app mais reconhecível para as pessoas que o usam.

• O iFood antes e depois da produção fotográfica

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